segunda-feira, maio 02, 2011

Brasil viola direitos humanos e econômicos nas obras da Copa do Mundo

Na marra
Um boletim divulgado pela relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Moradia Adequada, a urbanista brasileira Raquel Rolnik, alerta o governo brasileiro sobre casos de violações dos direitos humanos na remoção de comunidades em função das obras para a Copa de 2014 e, no caso do Rio de Janeiro, também para as Olimpíadas de 2016.
Falta de transparência nas ações do Poder Público, ausência de diálogo e negociação prévia de projetos de remoções, bem como das alternativas existentes, além de especulação imobiliária em função da valorização da terra são algumas denúncias recebidas pela Relatoria Especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre o Direito à Moradia Adequada e que formaram a base do boletim.
As denúncias referem-se a cidades como São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Fortaleza, Recife, Belo Horizonte, Natal e Curitiba.
Deserdados da Copa
De acordo com o boletim, em dezembro do ano passado, a Relatoria da ONU para a Moradia Adequada encaminhou carta ao governo brasileiro, narrando as denúncias recebidas e pedindo informações. Mas, até hoje, não obteve resposta.
O documento apresentado por Raquel Rolnik demonstra preocupação com esses fatos e aponta que as comunidades não participaram do planejamento das remoções já efetuadas ou em andamento. O boletim considera como limitadas as indenizações oferecidas às comunidades afetadas pelas obras.
Na avaliação de Raquel, a consequência pode ser o surgimento de novas favelas e um maior número de pessoas sem teto, sem que se providenciem os serviços e meios de subsistência nas áreas de realocação dessas famílias.
A relatora pede aos governos federal, estaduais e municipais que suspendam as remoções previstas e as obras em andamento até que se instaure um diálogo transparente com a sociedade sobre todo o processo.
Ela defendeu que o governo adote um plano de legado socioambiental e de promoção dos direitos humanos, que garanta que os megaeventos esportivos vão deixar um legado positivo para o país.
Violação aos direitos humanos e econômicos
Em entrevista à Agência Brasil, Raquel Rolnik disse que "o Brasil tem tempo para corrigir a rota". Ela disse que uma das principais irregularidades observadas em algumas cidades-sede da Copa se refere à falta de transparência, diálogo e participação das comunidades afetadas pelas obras.
"Faz parte da legislação, dos pactos internacionais no campo dos direitos à moradia, que, quando ocorre uma necessidade de remoção em função de projetos de desenvolvimento, de infraestrutura de obras, é fundamental a informação prévia para as comunidades atingidas".
Ela destacou ainda como violação aos direitos humanos das comunidades o valor das indenizações ou compensações pagas. "As compensações têm que garantir, para aquela pessoa que foi desalojada, uma moradia adequada".
Piorar não pode
Raquel destacou que as famílias removidas têm que ser reassentadas em lugares melhores do que aqueles em que moravam antes, não só do ponto de vista da habitação em si, mas também dos serviços e infraestrutura.
"Ela [a família] não pode ser desalojada para um lugar a 40 quilômetros dali, que não tem nada, que não tem as oportunidades de desenvolvimento humano que ela tinha antes. Porque tudo isso vai acabar violando outros direitos humanos, como o direito ao trabalho, à educação, à saúde".
Da mesma maneira, a relatora da ONU lembrou que as comunidades têm o direito de receber avisos sobre as remoções com antecedência suficiente. Ela condenou o uso de violência e de intimidação, relatado por várias entidades de direitos humanos nas cidades que sediarão os jogos da Copa.
Para ela, o alerta feito hoje, em Genebra, sinaliza que o país ainda tem tempo para remediar esses problemas. "O Brasil tem tempo, tem condições, tem trajetória e história para corrigir a rota e começar a promover aquilo que chamamos de um plano de legado socioambiental da Copa e de promoção e proteção dos direitos humanos."
Raquel observou que, em casos de violações aos direitos humanos, o plenário da ONU pode impor sanções aos países, em função da gravidade dessas violações e de sua reincidência, mas ela não acredita que isso vá ocorrer no caso do Brasil.

terça-feira, março 01, 2011

Secretaria da Cidadania e Direitos Humanos promove ação pelos Direitos do Consumidor em Nilópolis

Evento: Consumidor Consciente

Dia 15 de março, a secretaria Municipal de Cidadania e Direitos Humanos de Nilópolis irá realizar, em virtude do Dia Mundial dos Direitos do Consumidor, o evento "Cidadão Consciente", tem por objetivo atender as pessoas que tenham algum problema na esfera do direito do consumidor, na Praça dos Estudantes, no Centro de Nilópolis, de 09 às 16h. A iniciativa marca o início de uma nova caminhada no município na área da Cidadania e Direitos Humanos, que assinou com o  Governo do Estado do Rio de Janeiro um pacto de proteção a esses direitos.

"Além da questão do Direito do Consumidor encontrar-se no rol dos Direitos Humanos e apesar da data não ser tão conhecida, nem divulgada, decidimos, em reunião coletiva na SEMUCIDH, implementar essa política importante em nosso município, já que a Secretaria de Cidadania e Direitos Humanos vem recebendo muitos casos que acabam sendo destinados a outros municípios pela falta de um órgão responsável por esse atendimento em Nilópolis." - destacou a Secretária Profª. Nilcéa Clara Cardoso.

O evento conta ainda com o apoio da Câmara de Dirigentes Lojistas de Nilópolis que fará gratuitamente consultas de SPC à população e o PROCON/RJ que forneceu  material institucional e exemplares do Código de Defesa do Consumidor. A Secretaria pretende com esse tipo de ação fomentar a criação do primeiro Fórum de Defesa do Consumidor, bem como a criação e implementação do PROCON no município de Nilópolis, visando suprir as demandas dos consumidores nilopolitanos que se sentem lesados e que hoje, para procurarem seus direitos, tem de se deslocar a outro município.

Ainda fazendo parte do evento haverá um ônibus de Proteção e Defesa dos Direitos do Consumidor da ALERJ para dar o suporte necessário aos que comparecerem ao evento.

Conversa com a Presidenta Dilma Rousseff


Coluna semanal da Presidenta Dilma Rousseff

A senhora não acha que a falta de creches no país impede mães de sair para trabalhar, principalmente as mais necessitadas? Elas não podem pagar uma creche particular, ficam presas em casa e não contribuem para a família sair da pobreza. - João Marques Canuto, 55 anos, representante comercial de Duque de Caxias (RJ)

Presidenta Dilma – Você tocou numa questão muito importante. Atualmente, estão frequentando creches no Brasil apenas 20% das crianças de 0 a 3 anos de idade. Significa que, de fato, a maioria das mães de crianças desta faixa de idade, por falta de creches, não pode contribuir para a renda familiar. Para enfrentar o problema, vamos viabilizar, pelo PAC 2, a construção de 6 mil creches em todo o país até 2014, ou 1.500 unidades por ano. O Ministério da Educação divulgou recentemente a relação dos 223 municípios que vão receber verba para construir as primeiras 520 creches. O seu estado, o Rio de Janeiro, teve 59 projetos selecionados e o seu município, Duque de Caxias, enviou 5 projetos que estão passando por ajustes e podem ser incluídos nos próximos grupos. A seleção levou em conta o atendimento das exigências técnicas, o número de projetos inscritos e a demanda por vagas. A relação das creches está na página, do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Nesta página consta também a relação dos municípios que receberão verbas para a construção das primeiras 213 quadras poliesportivas cobertas, de um total de 2.500 planejadas para este ano.

Como primeira presidenta do Brasil, quais são os seus projetos para o enfrentamento da violência contra a mulher? V. Ex.ª dará efetividade a todas as ações previstas no II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres? - Marinalva Santana, 39 anos, servidora pública de Teresina (PI)

Presidenta Dilma – Nós temos o compromisso sagrado de enfrentar a questão da violência contra as mulheres, intensificando e ampliando as medidas adotadas no governo passado. O II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, de 2008, resultou da mobilização de mais de 200 mil brasileiras na II Conferência Nacional. O Plano prevê 388 ações, que se constituem num guia estratégico de promoção dos direitos das mulheres, incluindo medidas contra a violência. O Ligue 180, serviço da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM), conta hoje com 160 atendentes treinadas e instruídas sobre a Lei Maria da Penha. Elas dão orientação e direcionam as denúncias para os serviços especializados mais próximos da residência da vítima. O tempo de espera é de apenas 5 segundos. Uma das metas do II Plano era o atendimento de 1 milhão de mulheres até 2011 e, em outubro de 2010, o Ligue 180 já tinha atendido 1,5 milhão. O aumento de atendimentos não significa aumento da violência e sim da conscientização e da disposição de enfrentamento do problema. Outra meta do II Plano que foi ultrapassada é a de construir/reformar/aparelhar 764 serviços especializados de atendimento às mulheres em situação de violência. Hoje, há quase 900 serviços em pleno funcionamento, incluindo 466 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam’s) e 62 Defensorias Especializadas.

Por Redação Pantanal News/Governo Federal